terça-feira, 6 de março de 2012

Soneto de realidade

Descambo, sambo

Desconheço o mambo

O samba é um tropeço

Do descomeço humano.


Pisando, pisoteando

Pivete roubando flores

Correndo e correndo horrores

Candango índie, underground.


Descasco o descaso da avenida

Descubro das rubras cortinas

Os olhos atlantes do guri.


Fracasso dos homens de boa vida

Dissolvi minh'alma ferina

No exato instante em que nasci.



André Vargas

segunda-feira, 5 de março de 2012

Rimas matinais

Nem vem de cara feia pra cima de mim
Não sei por que que a vida tem que ser tão ruim

Pega tua carcaça e enterra
Tristeza contamina
Agradeço por estar em terra
Talvez essa minha sina
Uma vez por baixo outras por cima
Quantas mentes se perderam depois da guerra
Que enfim termina
Flashes! Notícias e nada que mude
Crash ! Fictícias novelas ao vivo
Se cuide!
O tempo é new e o new é trash
Um brinde aos velhos tempos
Saúde!
E se não beber não fode
Então beba! Aproveite o quanto pode
Mas aceite quando o copo já não mais te matar a sede
Aí é dormir e acordar de novo
Bom dia!
Levanto e topo com algo escrito no topo da parede
E que assim seja
A obra fica exposta pra que o povo veja
Antes do almoço a todos um copo de cerveja
E um pôr do sol de conversa curta
Boa noite, não surta e tire a touca pra dormir
Sopa quente pra digerir e fui!


Caio Vargas

sábado, 3 de março de 2012

Maracatu 1!

Tem os olhos que nos vêem
Com outras cores, algo mais
Mas num instante um pisque te sabota
Como um ataque de desejo faz
2x

Tras fulô de laranjeira pra enfeitar minha telha
Que esse branco na cabeça serve pra tranquilizar
Cinco argolas coloridas pra eu por na orelha
Quanto na vida mais cor fica melhor pra escutar

O Arco-íris dela é bom de ouvir
Tem som de gaita
É um som porreta e basta

Tinta na tela
É idéia querendo sair
Então que saiam..
Então que saiam..

Nega maria vem pra roda trás panela pra bater
Com a chinela levanta poeira
De saia rosa que roda quando começa a chover
Lavando a alma da roda inteira

E cai uns pingo nela
De um bom sentir
Então que caiam
Então que caiam
2x

Caio Vargas

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

CRÔNICA DE VERÃO


Que o verão passe,
leve junto o pôr do sol
o suor das noites de ar quente,
o cheiro do bafo barato
o sol que arde a pele morena leva embora o seu suwingado

Arrasta teu bloco de carnaval,
 assopra as cinzas de quarta
tira a serpentina do seu olhar,
a máscara que te escondia
Acabe a folia!

Passe os beijos nas bocas estranhas,
passe óleo e areia nos peitos durinhos, barrigas tanquinho e bundas douradas
chuva lava o verão, me traz depressa outra estação.

     ( Lorena Brites )

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O motivo

O desumano

O úmido

O abandono do estômago

O mago imaginário cômico

O topo altaneiro cônico

O jônico

O sônico, o profundo sono

O completamente nulo

O chulo cósmico

O chulé módico

A ralé tântrica

O ruir sânscrito

O linguajar de guache

A tinta, a mancha

Tentar, sempre tentar

O tento, o teto, o “tutti”.


A língua é soberana

Lambe o selo

Trança as almas

Água a boca

E baba a cama.


Parindo o pensamento

Envolto em sua placenta de signos e sentidos.

Desconexo do umbigo

Léxico perigo.


A língua é soberana

E a linguagem é o motivo.



André Vargas

Próximo

como envolver
certeiro
sua cintura de mulher mais velha?
perguntou a ela, que foi sutil:
nem choro,
nem vela

n.n.

Surpresa

do abraço do instante
não fujo
amiúde
muros das bocas
eu sujo


n.n.