quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

poema amarelado

não deixemos o amor em meio a solidão das coisas

o meu amor

defendo com um xaxado

não o quero tatuagem deste mundo

desejo antes

o amor-filhote

para cima, para baixo

carregado

bilingue a dois, nós

saber suas peças

catar o que lhe escapa

enterrar as promessas

para o sim, para o não

recarregado

um amor criado

à prova de m'água

que more na selva

sem nome sem contato

querendo seu namorado



N.N.


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Goya à beira


À beira da goiabeira
Estava Goya
E não havia nada
Não teve uma que eu não comera
Não sobrou Goya
Na minha aba.



André Vargas

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Dose

Um gole de aguardente
Aguardante veneno
O esperado “de repente”
De rompante condeno
Derrapante calhambeque
Alambique de feno
Transformo-me num delinquente
Delatando boleros.

Transborda a alma corrente
Grilhões de mil vis austeros
Aos teus pés descalçados
Descompassar dos cadernos
Bonitas frases rimadas
Odes ao ódio sincero
Que encerro ao cerro dos punhos
Ao serrar do visgo do erro
Canteiro de vidas jogadas
Cruel cemitério do medo
Vícios do início do vício
Suplícios do álcool que bebo.

Sou mais vivo quando erro
Mais dono quando entrego
Sou mais eu quando me nego
Soldado de chumbo
No fundo do mar
Ainda caindo.

Vou descendo vertigem
Descendendo de virgens
Decadente de origens
Dessas dos santos que fingem
E infringem dosando fuligens
Que seus mantos brancos dirigem.


Rasga-me o último gole
Amei-o...

No corpo cheio
Nu
No copo vazio
Cru
Meio que me nomeio
Um.



André Vargas

Like a oswald

ataque ao pico
fellini cheio de dente
ata que o pico
PAU
na semente
que o tal pica
explico
é pique pra gente


Neves

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Diverso

1 lembrança
2 de longe
3 para perto
4 a sentir

chegar

é o verbo
de onde mais gosto
de partir


Nenheu

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Mofo

Almofada
Mofada e estampada
Queimando a mufa cansada
Deitado, sem fazer nada
Vendo programa do Jô

Camuflada
Mudo a bermuda manchada
De gotas grandes e enlatadas
Desgostos e de um bom Nescau

Só eu e a madrugada
Drogada e sem previsão
Só eu e a madrugada
Feita de televisão.



André Vargas