quarta-feira, 22 de maio de 2013

Vista


Meu olhar anda cansado
Curtido
e mal pago
Apagado de nuvens
Nublado

Meu olhar não atenta
Não tenta
Não espicha

Meu olhar cabisbaixo
Cabofriense
revista

Não cabe não vence
Olhar vigarista

O meu olhar a pender

O meu olhar a perder

de vista.


André Vargas

exame de rotina

As mulheres do primeiro andar não podem explicar como já secou a água deste arroz
ou quão rápido sumiu o arroz de seus pratos
As mulheres do primeiro andar aprenderiam qualquer método
Calçariam qualquer número
Conseguiriam qualquer recibo
O primeiro andar está cheio de média e remédios
As mulheres do primeiro andar estão alagadas
Alegóricas
Mas nenhum pote às coléricas.
Coragem no ar, porque estão engraçadas...
As mulheres do primeiro andar já perderam de vista
Apenas cintilam em sua visões periféricas pequenas provas de paraíso
Mas nenhuma sombra nas américas
E, mesmo deste tamanho, o céu não se dispõe.
Exposição permanente no primeiro andar de milhares
Exposição em permanente translação
Nas melhores do primeiro andar os braços rolam lá
Longe de seus corpos, quilômetros depois de seus umbigos para serviços diversos
Do primeiro andar o ronco dessa fome histórica
Por fim
Cem mitos lucrativos


NN

segunda-feira, 15 de abril de 2013

terça-feira, 2 de abril de 2013

Pousada


Eu me vi
Maluco
Num cuco da cuca
Vivendo na sociedade
Maluca

Alguém escuta?
Credo
Grito
Chuva

O infinito nos saúda
O tempo simplesmente passa
Eu de saída
Como um vinho que cai da taça
Arte contida
Sortuda

Que atravessa gereações
No olhar no olho
Das visões das quais não escolho
Vi trovões
Vi Arco-íris
E depois fechei o ferrolho

De porta fechada
Talvez a um palmo
Talvez na porta errada
Vi tudo calmo
Um estranho no ninho
Nunca sozinho
Entendendo nada



Caio Vargas

quinta-feira, 21 de março de 2013

Dia Mundial da Poesia com Salgado Maranhão

Queridos Poeteiros, Viva o Dia Mundial da Poesia!!!
Ofereço à todos, meus queridos, Salgado Maranhão para honrar nossa terra!

.

Voz


Minha carne é fibra de argila e sol
verão. Ou docas onde a dor se encuba
secretamente.  Sei que em meu paiol
os andróides de porre dançam rumba.
No entanto flui de mim um girassol
lilás que luz, que jazz, que mais que alumbra,
esculpe as esquadrias do arrebol
dissolve o tempo sobre a minha juba.
Já de júbilo desse pergaminho,
aceito o temporal – redemoinho
de pedras: tanto degrau... tanta esgrima...
e ao ter somente a voz como caminho
agarro a poesia pela crina
e me  arrimo na minha própria rima.


terça-feira, 5 de março de 2013

Sem sentindo

Pitanga 
pintada de manga chupada
chuvisco grisalho da terra
pitada de sal, de pimenta

Canela

pó de serra
cereja
neblina que nunca se veja
melaço de velha cerveja
cominho na carne
...
Certeza!
...
de nada
obrigado
de nada

Mundo, homem
mudo, tudo
inundação de sentidos
ação sem sentido algum.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Pena nascer árvore


Pena nascer árvore...

Raízes presas ao chão,
galhos e folhas erguidos aos céus,
onde o vento os beija quando passa
e os levam junto
flutuando e passeando pelo ar
e pelo campo.
Até se perderem entre outros espaços,
à passos longos,
perdidos,
e não mais achados
de onde saíram.

Pena nascer como árvore...

Com pés presos ao chão,
cabeça alta como os galhos,
subindo em ideias.
E o tronco, sua mediação.
O tronco é o centro,
equilibrando todo movimento.
Os braços aos céus se erguem,
ovalados como as copas,
captam energia que circule,
traga e faça significado
no todo.

Pena nascer árvore...

Nascer num lugar
e ali permanecer.
Ver o começo
o meio
e o fim ao redor se estender.
E o começo de novo.
A finitude das vidas.
Sem poder se envolver
até quando chegar o seu fim.

Pena nascer como árvore...