o abricó doce
encorpado
caído meio de lado
na noite
já abriu cá
bom bocado
do gosto gostado
e danou-se
fruta de quintal
quinta-feira
feira de rua
sem saída
Ida sem saia
linda fruteira
o abricó doce
trepa na língua
cheiro de percevejo
ventado
percebo e vejo
um beijo de vó
molhando a pele
rosto rosado
fruto danado
doce abricó.
André Vargas
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Memória
A memória
demora
pois mora
nas horas
do engarrafamento
Quebrantada
desconexa
mora em Joyce
mais do que assumo
A memória
me olha
A memória
me mostra
o não-rumo.
demora
pois mora
nas horas
do engarrafamento
Quebrantada
desconexa
mora em Joyce
mais do que assumo
A memória
me olha
A memória
me mostra
o não-rumo.
Gotas de sangue
Uma caneca de vinho barato
Promoção de mercado
Jayme começou a chorar
Goles e goles de vômito roxo
Tirados da geladeira
Como não se deve fazer
Lembrar
Caneca vermelha
Sangrando frutado
Jayme com o gato no colo
Olhando o espelho cuspir
Ronrona o bichano
E o dono
Um sono
Que chega e não larga
Um dia e uma noite em Praga
Jayme não sabe mentir
O chocolate suíço nos lábios
O relógio parado no pulso
A convulsão dos soluços
A solução de viver
Morto
Parado
Estanque
Forçado a esquecer o que antes
Com toda a força quis ser.
André Vargas
André Vargas
sábado, 17 de agosto de 2013
Coisidade
Apetrecho
Treco de apertar treco
Coisa que esqueço o nome
Mas o uso
Para inventar um só para mim.
Sopra mim
Negócio de fazer vento
Troço sem movimento
Enfim, seu sentido é fim.
Treco de apertar treco
Coisa que esqueço o nome
Mas o uso
Para inventar um só para mim.
Sopra mim
Negócio de fazer vento
Troço sem movimento
Enfim, seu sentido é fim.
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