segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Abricó

o abricó doce
encorpado
caído meio de lado
na noite
já abriu cá
bom bocado
do gosto gostado
e danou-se

fruta de quintal
quinta-feira
feira de rua
sem saída
Ida sem saia
linda fruteira
o abricó doce
trepa na língua

cheiro de percevejo
ventado
percebo e vejo
um beijo de vó
molhando a pele
rosto rosado
fruto danado
doce abricó.


André Vargas

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Memória

A memória
demora
pois mora
nas horas
do engarrafamento

Quebrantada
desconexa
mora em Joyce
mais do que assumo

A memória
me olha
A memória
me mostra
o não-rumo.

Matéria

A matéria
miséria
me zera
e me erra
o alvo

Em terra
Firme!

Em solo
Fértil!

Em mar
Alto!

Gotas de sangue

Uma caneca de vinho barato
Promoção de mercado
Jayme começou a chorar

Goles e goles de vômito roxo
Tirados da geladeira
Como não se deve fazer
Lembrar

Caneca vermelha
Sangrando frutado
Jayme com o gato no colo
Olhando o espelho cuspir

Ronrona o bichano
E o dono
Um sono
Que chega e não larga
Um dia e uma noite em Praga
Jayme não sabe mentir

O chocolate suíço nos lábios
O relógio parado no pulso
A convulsão dos soluços
A solução de viver

Morto
Parado
Estanque
Forçado a esquecer o que antes

Com toda a força quis ser.



André Vargas

sábado, 17 de agosto de 2013

Só sou poeta
Enquanto escrevo
poesia
Nas horas vagas
Eu sou só
monotonia.
Cu e calça
Calça e cu
Veste a calça
Limpa o cu
Na calçada
Único 
Bico
Trico
Salamê mim cu.

Coisidade

Apetrecho
Treco de apertar treco
Coisa que esqueço o nome
Mas o uso 
Para inventar um só para mim.

Sopra mim
Negócio de fazer vento
Troço sem movimento
Enfim, seu sentido é fim.